Selic à 9,75%: o que muda para o consumidor

Selic à 9,75%: o que muda para o consumidor

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem à noite a taxa básica de juros (Selic) de 10,5% para 9,75% ao ano. A queda de 0,75 ponto percentual – que era cogitada, mas surpreendeu os mercados – visa impulsionar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país e amenizar os efeitos da crise mundial. Mas a decisão do Copom não interfere imediatamente no bolso do consumidor. Como se dá a relação entre a Selic e os juros praticados pelos bancos? Quanto tempo demora para haver um reajuste?

De acordo com o professor de Economia da Faculdade Boa Viagem (FBV), Marcelo Andrade, o gap  entre o anúncio do Copom e o reflexo na “ponta do varejo” é de seis a oito meses. Como a Selic vem caindo desde o primeiro semestre de 2011, esse processo é contínuo, fruto do desejo de que o Brasil alavanque seu crescimento.

Ano passado, o PIB aumentou 2,7%, bem abaixo da meta estabelecida de 4,5%. “Eles vão continuar reduzindo até a economia dar sinais de que está se recuperando”, prevê Andrade. Afinal, lembrou o professor, apesar de alguns setores já estarem superaquecidos, como a construção civil, outros estão amargando crescimentos tímidos e até mesmo redução do PIB e da produção setorial, como a indústria de transformação.

Compreender o que é a Selic e como ela funciona não costuma ser simples. A explicação encontrada na maior parte dos livros é a técnica: ela é uma média das transações diárias entre bancos ou entre bancos e governo, lastreadas por títulos públicos. As operações são fechadas todos os finais de tarde e a média é anunciada por volta das 20h. Trata-se de um valor passado que serve de orientação para o futuro; uma base para determinação das taxas de cartão de crédito, cheque especial, crediário e outras formas de empréstimo e financiamento. “É o custo do dinheiro”, resumiu Andrade. Portanto, reduzir a Selic visa disponibilização de crédito e, consequentemente, aquecimento da economia, de compras a investimentos.

Atenção: é uma base, não o valor real. Os juros cobrados pelo atraso de uma fatura do cartão são bastante elevados, então é preciso ficar atento e controlar os impulsos de compra. “O consumidor deve ficar atento ao valor efetivo dos juros que está pagando”, recomendou o professor. Se realmente for preciso adquirir o item ou serviço, avalie se a prestação cabe no seu bolso e quanto essa  nova despesa representa da sua receita mensal (salário), a fim de não desequilibrar seu orçamento.

Embora a redução de juros possa alimentar a inflação, Andrade explica que isso se dá quando a queda é muito brusca, não havendo “perigo” no momento. “É uma questão de calibragem: o Copom reduz a Selic e vê a reação no mercado, no comércio, na indústria. Daí vai analisar o que fazer na próxima reunião”, ponderou. Em 2011, a inflação fechou dentro da meta, mas no limite: foi de 6,5¨%, sendo que o centro era de 4,5%, com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fonte: Google notícias.

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