IPCA sobe menos do que o esperado em março–IBGE

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu menos do que o esperado em março ao registrar alta de 0,21 por cento, a menor desde julho de 2011, beneficiado pela desaceleração no grupo Educação, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Foi a menor taxa desde julho de 2011. Em fevereiro, o índice havia avançado 0,45 por cento.

No acumulado de 12 meses, o IPCA avançou 5,24 por cento no mês passado, desacelerando dos 5,85 por cento de fevereiro. A taxa foi a menor desde outubro de 2010, quando estava em 5,20 por cento.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que o indicador teria alta de 0,36 por cento em março, segundo mediana da pesquisa Reuters, com as previsões variando entre 0,30 a 0,40 por cento.

“O número foi bastante surpreendente. Alimentação veio mais fraco do que eu estimava e Vestuário mostrou deflação quando eu previa alta”, avaliou a economista chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, que esperava alta de 0,32 por cento.

Para ela, entretanto, o resultado não é uma tendência, pois o índice deixará, por exemplo, de sentir nos próximos meses o impacto das liquidações de roupas.

SETORES

Segundo o IBGE, o grupo Educação registrou alta de 0,54 por cento em março, com impacto de apenas 0,02 ponto percentual, depois de ter subido 5,62 por cento em fevereiro, com um impacto de 0,25 ponto.

Tirando Alimentação e Bebidas (que passou para 0,25 por cento, ante 0,19 por cento) e Transportes (que subiu para 0,16 por cento, depois de queda de 0,33 por cento), os demais grupos apresentaram resultados inferiores aos registrados no mês anterior.

O grupo Vestuário mostrou a queda mais expressiva entre os três que registraram variação negativa, passando para -0,61 por cento, antes -0,23 por cento.

O economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flavio Serrano, também concorda que o cenário apontado pelo IBGE não deve se tornar uma tendência.

“Há um efeito positivo de desinflação no primeiro semestre deste ano, mas o viés é claramente de aceleração da inflação a partir do segundo semestre do ano”, avaliou ele, destacando que o resultado deve reforçar a confiança do Banco Central no cenário de desaceleração de inflação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por sua vez, disse que o resultado do IPCA em março mostra que a inflação está sob controle.

Falando a jornalistas ao chegar o ministério pouco depois da divulgação dos números, ele acrescentou que o dado “abre a possibilidade de um crescimento maior (da economia) neste ano”.

PERDA DE FÔLEGO

Já havia sinais de que o índice continuava perdendo fôlego. O IPCA-15 de março -considerado uma prévia da inflação oficial- subiu 0,25 por cento, mostrando uma forte desaceleração ante a alta de 0,53 por cento registrada em fevereiro. O resultado veio bem abaixo das expectativas do mercado.

Com os preços perdendo força, o Banco Central vem implementando uma política monetária mais branda, tendo reduzido a Selic -hoje em 9,75 por cento ao ano- em 2,75 pontos percentuais desde agosto passado. E deve continuar reduzindo, já que a própria autoridade monetária deixou claro que pretende levar a taxa básica de juros do país a patamares “ligeiramente” acima dos níveis históricos, de 8,75 por cento.

A expectativa do mercado é de que a Selic recue para 9 por cento ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), dias 17 e 18. Com juros mais baixos, os empréstimos também ficam mais baratos, estimulando o consumo e a atividade.

O objetivo é dar fôlego para que o Brasil cresça ao redor de 4 por cento neste ano, depois da expansão de 2,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011.

Fonte: Goglee Notícias

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