BC atua no mercado para segurar o dólar

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O Banco Central voltou a atuar nos negócios com o dólar ontem. Na quarta intervenção em menos de uma semana, a instituição negociou US$ 1,3 bilhão em contratos que equivalem à venda da moeda no mercado futuro. A ação surtiu efeito e a cotação, que chegou à máxima de R$ 2,1030, encerrou a quarta-feira no menor preço do dia: R$ 2,043, em queda de 1,73%. A intervenção aconteceu no fim da manhã, minutos depois de a moeda atingir o patamar de R$ 2,10. Em Curitiba, o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Hamilton Araújo, explicou que a casa decidiu agir após perceber excesso de volatilidade nos negócios. “O BC age para que o mercado opere apropriadamente. O BC identificou que o mercado não operava de forma adequada e agiu.”

O resultado da intervenção respalda a avaliação do diretor. Em leilão, o BC ofereceu até US$ 4 bilhões no mercado futuro e só um terço do montante foi comprado. Para o BC, se houvesse demanda efetivamente elevada, a venda poderia ter sido maior. Em outras palavras, a alta da manhã aconteceu sem muitos fundamentos, possivelmente pela ação de alguns especuladores.

A oferta do Banco Central não causou surpresa em bancos e corretoras, mas foi suficiente para apaziguar os ânimos. Após uma manhã de expectativa, operadores diziam no fim do dia que o BC mostrou que está atento e agirá mais vezes para evitar distorções. Essa leitura fez com que muitos compradores se retirassem dos negócios para evitar perder dinheiro, o que fez a moeda cair.

Araújo ressaltou que a instituição não tem nenhum compromisso com um preço determinado do dólar. “O câmbio repercute (neste momento) a piora da aversão a risco internacional”, afirmou, mas admitiu que a escalada de valorização do dólar já preocupa o BC. Para Araújo, a variação da moeda faz parte do atual sistema econômico. “O câmbio flutuante é a primeira linha de defesa do País em caso de choques”, afirmou. “O câmbio está repercutindo essencialmente uma piora no sentimento de risco.” Araújo esteve em Curitiba para a divulgação do Boletim Regional do Banco Central, que avalia o desempenho da atividade econômica nas diferentes regiões do Brasil.

No balcão, o dólar à vista fechou ontem na mínima, a R$ 2,043, com queda de 1,73%. Pouco antes do anúncio do leilão do BC, a piora no ambiente internacional havia impulsionado o dólar para R$ 2,103, com alta de 1,15%, na máxima do dia. Na BM&FBovespa, a moeda spot encerrou com alta de 0,58%, a R$ 2,0725. O giro financeiro total somava US$ 1,497 bilhão até as 16h30min (US$ 1,448 bilhão em D+2).

Fonte: Jornal do Comércio

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