Febraban se envolve em nova polêmica com o governo

Febraban se envolve em nova polêmica com o governo

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Em meio a nova polêmica com o governo, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgou ontem nota para desautorizar relatório distribuído na véspera pelo economista-chefe da entidade, Rubens Sardenberg, que colocou em dúvida a eficácia das medidas oficiais para estimular a concessão de empréstimos e aquecer a economia.

No texto intitulado Informativo Semanal de Economia Bancária, Sardenberg escreveu que “alguém já disse que você pode levar um cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber a água”, numa referência à pressão da equipe econômica para a redução dos juros e spreads embutidos nos empréstimos e para o aumento do volume de crédito.

Segundo ele, não há garantia de que a perspectiva de redução mais acelerada da Selic possa estimular uma “ampliação significativa da oferta de crédito doméstica”, e que o momento é de incerteza com inadimplência e os desdobramentos da crise financeira internacional.

Segundo a Febraban, porém, o texto não pode ser interpretado como posicionamento oficial da entidade ou de seus associados. Ainda na segunda-feira, interlocutores da presidente Dilma Rousseff reagiram com ironia ao relatório. “Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas ele também pode morrer de sede”, disse um técnico do governo.

“A Diretoria de Economia da Febraban produz o Informativo Semanal de Economia Bancária-Iseb há quatro anos. A edição de nº 140, divulgada na segunda-feira (7), trouxe uma análise da conjuntura do mercado de crédito baseada em dados e estatísticas públicos e na pesquisa sobre expectativas e projeções e opiniões dos analistas, que não podem ser interpretados como um posicionamento oficial da entidade ou de seus associados”, diz a nota, assinada pela diretoria de comunicação da entidade.

Sem mencionar seu economista-chefe, a entidade acrescenta “que os bancos associados estão comprometidos com a expansão vigorosa e saudável do crédito, que é a razão de ser do sistema bancário, e é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”.

O governo cobra dos bancos uma redução mais acentuada dos juros, com o argumento de que as condições de solvênia da economia permitiriam repetir aqui o padrão de taxas internacionais. Mas o diálogo entre as duas partes começou mal, depois que o presidente da Febraban, Murilo Portugal, apresentou no início de abril uma série de condições para o corte das taxas, como a redução do compulsório recolhido ao Banco Central.

Portugal, que não tem dado mais declarações públicas sobre o tema, também cobrou o pagamento de uma dívida de R$ 300 milhões da Receita junto aos bancos.

A posição levou Dilma a dizer, em rede nacional de TV na véspera do Dia do Trabalho, que o sistema financeiro se move apoiado numa “lógica perversa”, além de chamar de “roubo” as tarifas cobradas na administração de fundos de investimento.

Fonte: Pernambuco.com

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