Governo federal é responsável por metade da tributação da conta de luz
Governo federal é responsável por metade da tributação da conta de luz
28 de maio de 2012 Nenhum comentário em Governo federal é responsável por metade da tributação da conta de luzA redução da tarifa de energia defendida pela presidente Dilma Rousseff depende em grande parte do próprio governo federal, responsável por cerca de 50% dos impostos e tributos cobrados no preço da energia. A outra metade é proveniente do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e é responsabilidade dos Estados.
Segundo cálculos da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), os encargos e tributos respondem por metade da tarifa paga pelos consumidores (veja tabela ao lado), que é composta ainda por custo de geração, transmissão e distribuição. A redução de impostos está sendo discutida pelo governo federal e, para analistas do setor, poderia ser adotada de forma gradual pelo governo, mas não deve ser o único mecanismo para ajudar a reduzir o custo do insumo. A regra que for adotada para a renovação das concessões que vencem em 2015 e representam cerca de 20% da geração de energia do país também pode ajudar a baratear o custo.
Nos cálculos da Abrace que apontam que o peso da tributação alcança 50% do custo final da tarifa são considerados 11 encargos, impostos e contribuições federais que incidem sobre todas as fases do serviço de energia elétrica (geração, transmissão e distribuição) mais PIS/ Cofins e ICMS. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) calcula que a tributação representa 36,8% da tarifa paga pelos consumidores, mas inclui apenas a tributação sobre a distribuição.
O governo federal tem indicado que gostaria de ver uma redução mais expressiva do ICMS que incide sobre energia elétrica como um mecanismo para ajudar a reduzir custos do insumo, especialmente para o setor produtivo. “Em alguns casos a cobrança é de 30% da tarifa da energia. Deveria haver um teto em torno de 20% para que haja maior unificação da cobrança”, diz Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de infraestrutura (CBIE).
O montante arrecado por esse tributo, no entanto, é representativo para os Estados – em 2011, ele representou, na média nacional, 9% do ICMS arrecadado. Em São Paulo, a arrecadação de ICMS com energia chegou a R$ 9 bilhões no ano passado, representando 9,1% do total (R$ 102 bilhões), segundo dados disponíveis no Conselho de Política Fazendária (Confaz).
De acordo com levantamento da Machado Associados, em São Paulo a cobrança de ICMS é de 25% para consumidores residenciais que utilizam mais de 200 kw/h por mês, e de 12% na conta residencial que apresentar consumo mensal de até 200 kWh, na utilização de transporte público eletrificado e em propriedades agrícolas.
Nivalde Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel-UFRJ), acredita que a renovação das concessões que vencem em 2015 será importante para adotar novos contratos em que a política de redução seja pactuada entre empresas e governo. “A indexação da tarifa à inflação tende a desaparecer. O governo deve estabelecer novas regras para o aumento, que pode deixar de ser anual”, considera.
Ele diz que a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) devem ter trajetória de redução nos próximos anos. Ele aponta que o governo deveria reduzir ou extinguir a cobrança de Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) da tarifa, como contrapartida da redução do ICMS.
Entre as taxas cobradas que deveriam ser extintas, uma delas é unanimidade entre os especialistas: a Reserva Global de Reversão (RGR). “Como há tendência de renovação das concessões esse dinheiro não será utilizado. A Eletrobras, que coordena esse investimento, possui cerca de R$ 17 bilhões que vem sendo emprestado e distribuído para projetos na área”, diz João Carlos Mello, presidente da consultoria Andrade & Canellas, ressaltando que a RGR “pode ser substituída por outras medidas, já que não é mais necessária”.
Fernando Umbria, assessor de diretoria da Abrace, lembra que só a extinção da RGR pode reduzir em 2% a tarifa média de energia para o consumidor final. Ele ressalta que os encargos que mais afetam o valor da energia são aqueles financiados pelos próprios consumidores. “Há um conjunto de encargos que não são estratégicos e sim políticas públicas”, afirma. Com a intenção do governo de reduzir a tarifa, Umbria acredita que haverá busca de alternativas para fazer substituição. “O efeito pode ser imediato e vir já neste ano. No fim, o preço da energia pode ficar até 10% mais baixo”.

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