Capital tem a terceira cesta básica mais cara do Brasil

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As fortes chuvas que alagaram Manaus e boa parte da região Norte do Brasil fizeram com que a capital do Amazonas figurasse em maio na segunda posição no ranking das capitais com cesta básica mais cara – lugar que há meses era ocupado por Porto Alegre. Apesar das enchentes, porém, a diferença no preço médio dos produtos lá é superior em apenas R$ 0,41 aos porto-alegrenses, conforme mostra a pesquisa divulgada ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Daniela Sandi, técnica do Dieese que apresentou o estudo em Porto Alegre, mostrou que a tendência de alta foi observada em 15 das 17 capitais pesquisadas. São Paulo, que lidera a lista, teve preços 2,32% mais caros em maio (o preço da cesta básica ficou em R$ 283,69). Em Manaus, a alta foi de 2,12% (R$ 272,86) e em Porto Alegre, 1,62% (R$ 272,45). As maiores variações, porém, foram constatadas nas capitais nordestinas – Recife, 7,12%; Fortaleza, 6,91% e Salvador, 4,74%.

“A alta dos preços verificada em Porto Alegre está atrelada basicamente às questões climáticas que afetaram os produtos in natura. A variação maior foi observada no tomate, que teve alta de 19,47%; no feijão, com alta de 5,31%; e na banana, que subiu 4,64%”, afirmou a economista. O levantamento de dados mostrou, ainda, que entre os 13 produtos avaliados, sete tiveram alta, a farinha manteve o preço estável e cinco apresentaram retração – a batata (-5,13%);  a carne (-2,07%); e a manteiga (-2,06%) foram os que tiveram maior redução.

Com isso, apesar da tendência de alta registrada em maio, a cesta básica de Porto Alegre ainda acumula queda em 2012. A retração acumulada entre janeiro e maio é de 1,59%, enquanto nos últimos 12 meses a variação mostra uma alta de 2,54% nos preços. Para a economista, além dos fatores climáticos os preços encontrados pelos pesquisadores refletem, também, as mudanças cambiais – com o dólar acima de R$ 2,00, explica ela, o mercado externo fica mais interessante para os produtores que forçam o mercado interno a adotar preços mais próximos dos praticados no exterior, o que justifica a alta do óleo de soja em 16 das 17 cidades pesquisadas.

O Dieese mostrou, ainda, que em maio o custo da cesta básica em Porto Alegre representou 47,61% do salário-mínimo líquido. No mês anterior a proporção era de 46,85% e em maio do ano passado, de 52,99%. Com isso, o trabalhador com rendimento equivalente a um salário-mínimo precisou cumprir uma jornada de 96 horas e 22 minutos apenas para adquirir os bens alimentícios básicos. “O cálculo, feito com base no preço mais alto da cesta básica, encontrado em São Paulo, mostra que para que o salário-mínimo cumprisse seu papel constitucional de garantir o sustento de uma família de quatro pessoas, o valor deveria ser de R$ 2.383,28. Esse valor é 3,83 vezes o mínimo em vigor, de R$ 622,00”, destacou Daniela.

Fonte: Jornal do Comércio

 

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