Arrecadação do Simples teve avanço menor até fevereiro
Arrecadação do Simples teve avanço menor até fevereiro
14 de abril de 2014 Nenhum comentário em Arrecadação do Simples teve avanço menor até fevereiroA arrecadação de impostos federais pelo Simples Nacional neste começo de ano teve uma expressiva desaceleração. Especialistas entrevistados pelo DCI apontam que essa variação é sinal de que o ritmo da Economia está ainda mais lento do que foi no início de 2013.
De acordo com os últimos dados divulgados pela Receita Federal, o recolhimento desse regime de tributação cresceu 18%, em termos nominais, para R$ 10,242 bilhões, no acumulado de janeiro a fevereiro de 2014 em comparação com o mesmo período do ano passado. Enquanto entre 2012 para 2013 o aumento no primeiro bimestre foi de 85%, ao passar de R$ 4,648 bilhões para R$ 8,608 bilhões.
O professor Tales Andreassi, coordenador do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirma que uma possível explicação para este resultado é o reflexo da Economia na receita, onde ocorre a tributação. “Com esta situação existem duas consequências: ou as empresas recebem menos [lucro] ou sonegam”, entende.
A advogada e professora e coordenadora da graduação em Direito do Ibmec RJ, Bianca Xavier, compartilha dessa opinião e afirma que pode ocorrer ainda “a morte” dessa empresa, o que diminui ainda mais a arrecadação. “O fechamento de uma empresa é ligado à questão econômica. Como o Faturamento dessa empresa é pequeno ou médio, um baixo crescimento torna difícil a situação desses negócios. E se ela não fechar, ela volta para a informalidade”, elucida Bianca.
Na opinião de ambos, mudanças como aumentar a margem para poder entrar no Simples e ampliar para todos os setores a Opção pelo regime seriam importantes para ajudar a elevar a formalidade e, assim, a arrecadação federal. Contudo, eles não estão otimistas com o avanço das pequenas neste ano.
A professora e coordenadora do Ibmec afirma que o ideal seria que o governo também abrisse um Refis – programa de parcelamento de dívidas – para os negócios de pequeno porte. “Sem isso, será difícil regularizarem sua situação”, alerta. Já Andreassi comenta que como o cenário econômico está nebuloso, pode haver uma limitação do empreendedorismo. “Até são abertas empresas, mas em períodos de crise as criações são feitas por necessidade, e não por oportunidade, em que sobrevivem mais [por ter mais planejamento]”, disse.
Ainda na visão de Bianca, outra mudança importante dentro do regime, seria que a simplificação do recolhimento ocorresse de forma geral com impostos federais, estaduais e municipais. Hoje, tributos como o IPTU são recolhidos separadamente.
Com relação à arrecadação do Simples, no primeiro bimestre deste ano, as empresas recolheram R$ 1,608 bilhão para os estados, e R$ 824 milhões para os municípios. Em 2013, a arrecadação foi de R$ 8,559 bilhões e R$ 4,409 bilhões, respectivamente, de acordo com o portal Simples Nacional da Receita Federal.
Importância
Porém, mesmo com desaceleração, o crescimento – sem correção da Inflação – do recolhimento do Simples Nacional foi maior do que a arrecadação federal total em 7,64%, para R$ 206,804 bilhões, o que mostra, na opinião de especialistas, a importância deste segmento para as contas públicas do País.
Exemplo disso é que na semana passada o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos, afirmou que a presidente Dilma Rousseff “espera ansiosa” pelo projeto que faz mudanças na Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. “Estamos aqui para dirimir conflitos, para que a sanção presidencial seja total”, disse no plenário da Câmara dos Deputados, em referência à relação entre os poderes Executivo e Legislativo.
Segundo Afif, Dilma “está feliz” com as propostas de mudanças e irá sancionar a lei. “Ela está convencida de que se fala de desoneração, mas que isso não significa perda de arrecadação. Nosso lema é: quando todos pagam menos, o governo arrecada mais”, afirmou. A proposta prevê que o critério de adesão ao Simples não seja a natureza da atividade, como acontece atualmente, e sim o tamanho da empresa – o que permitirá a adesão de empresas que hoje não se enquadram no regime simplificado.
Se aprovado, o Projeto de Lei Complementar 221 de 2012 permitirá a inclusão no regime de tributação do Simples de quase 500 mil micro e pequenas empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano, segundo o governo.
De acordo com dados do portal Simples Nacional da Receita Federal, até o dia 05 deste mês o regime simplificado de tributação tinha 8.614.587 optantes.
Fonte: Fenacon

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