Lojas já repassam redução nos preços

Lojas já repassam redução nos preços

Nenhum comentário em Lojas já repassam redução nos preços

As concessionárias do Grande ABC já começaram a vender carro zero-quilômetro com preços até 10% menores. O desconto do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), somado à redução no preço de tabela das montadoras e à diminuição no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado sobre os financiamentos, pode baixar o valor do veículo, em média, em R$ 3.000.

O carro mais popular fabricado no País, o Ford Ka 1.0, a partir de hoje já é encontrado por R$ 21.240, em vez de R$ 23,6 mil, ou seja, R$ 2.360 a menos do que custava na segunda-feira, quando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou pacote de medidas de estímulo à economia brasileira. No valor das parcelas, considerando taxa de juros de 1,94% e financiamento em 48 meses, há redução de R$ 51,14, passando de R$ 511,39 para R$ 460,25.

No caso de veículos 1.0, a diminuição de preços é ainda maior porque eles ficam isentos da cobrança do IPI (veja arte ao lado). Em contrapartida, as montadoras se comprometeram a reduzir entre 1% e 2,5% o valor de tabela.

Na concessionária Savol em Santo André os descontos já eram oferecidos na tarde de ontem e o novo Gol completo era vendido por R$ 34.458, em vez de R$ 37.808, ou seja, R$ 3.350 a menos. De acordo com o gerente geral de vendas Edimar Vieira de Lima, o fluxo de pessoas na loja cresceu 40% em comparação aos demais dias da semana, com 25 clientes.

Mesmo os automóveis que já estão estocados nas revendedoras serão refaturados e seus preços também serão reduzidos.

Algumas concessionárias ainda não sabiam informar o preço reajustado, pois aguardavam sinalização da montadora. É o caso da Sandrecar, na mesma cidade. “Hoje (ontem) estão sendo feitas as vendas, mas não o fatuamento delas”, conta o gerente comercial Glauco Dib Cassab. O movimento, segundo ele, estava fraco, provavelmente porque os consumidores estavam aguardando o repasse dos preços menores. Hoje, a revendedora já começa a faturar com os valores novos.

PÚBLICO – Na avaliação do presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Décio Carbonari de Almeida, existem dois tipos de público que devem movimentar o mercado de carros zero-quilômetro: os que não estavam pensando em trocar de veículo e são atraídos pela promoção e aqueles que não conseguiam se enquadrar porque ganhavam menos do que o necessário para dividir o pagamento. “Por exemplo, a parcela de um carro que antes custava R$ 1.000 só poderia ser oferecida para quem tivesse renda equivalente a quatro vezes o seu valor, ou seja, R$ 4.000. Agora, com a redução dessa mesma prestação para R$ 900, quem ganha R$ 3.600 pode financiar o veículo.”

Quanto ao índice de inadimplência, que em março bateu recorde com 5,7% das carteiras de crédito do setor, segundo dados do BC (Banco Central), Almeida afirmou que a restrição vai continuar para quem estiver endividado. “A política de crédito dos bancos não vai mudar, porém, com a diminuição dos preços dos carros, mais pessoas conseguirão tomar crédito.”

Para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira, o conjunto de ações, como a redução dos juros, dos depósitos compulsórios (quanto o BC obriga que os bancos deixem em seus cofres) e de impostos, como IPI e IOF, vão injetar dinheiro para que as instituições ofereçam mais crédito e, assim, incentivem o consumo.

Pacote deve esvaziar pátios da região

As medidas anunciadas pelo governo na segunda-feira, que incluem a redução das alíquotas do IOF incidentes sobre o crédito para pessoa física, do IPI na venda de veículos e a redução das taxas de juros do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), serão suficientes para desovar os estoques dos pátios das montadoras, avalia Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (que abrange as cinco fábricas de São Bernardo). “Se serão capazes de dar sustentabilidade ao setor, isso é outra história. Vai depender muito do consumidor.”

Para Nobre, no entanto, o governo ainda precisa retomar a oferta de financiamentos por meio de leasing (modalidade em que o veículo fica alienado em nome do banco), que hoje corresponde a menos de 5%.

Questionado sobre o mercado de caminhões, que tem sentido fortemente a queda nas vendas desde que o modelo Euro 5 entrou em vigor, no início deste ano – a compra do modelo anterior, o Euro 3, foi antecipada no fim de 2011, por ser mais barato e rodar com diesel comum -, Nobre explica que a retomada do segmento vai depender da confiança na economia. “Quem compra caminhão só renova a frota quando está confiante.” O pacote reduziu os juros do financiamento de caminhões e ônibus de 7,7% para 5,5% ao ano e estendeu o prazo de pagamento de 96 para 120 meses. Para ajustar a produção, a Mercedes-Benz concedeu licença remuneda a 480 trabalhadores até o começo de junho. A Ford desde o início do ano diminuiu a jornada para quatro dias, e prevê parada de 40 dias. A Volks também adotou semana de quatro dias.

Nobre acredita que só será possível ter cenário mais claro sobre o emprego nessas empresas a partir de julho, quando o mercado de caminhões deverá começar a reagir.

Especialista orienta quem tem dívidas a saldá-las primeiro

Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, o momento é propício para os consumidores com dinheiro na mão, mas para quem está endividado, todo cuidado é pouco. “Quem tem dívidas, comprar um carro a prazo, mesmo com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) menor, não é uma boa, a não ser que seja necessário; por exemplo, se a pessoa for representante comercial ou o carro velho estiver dando muita manutenção.”

Na avaliação de especialistas, as vendas de carros zero-quilômetro devem ganhar impulso. O economista Ayrton Fontes projeta crescimento de 20% a 25% no volume comercializado neste mês na comparação com abril.

As mudanças são estímulo aos interessados em trocar de veículo, já que poderão contar com reduções de cerca de 10% no preço à vista. “Se o consumidor tiver carro usado para dar de entrada, poderá conseguir juros de zero a 0,59%”, cita Fontes. Isso porque as montadoras já estavam com promoções em que ofereciam planos com 50% de entrada mais 36 meses sem juros.

No entanto, para quem não tem carro para dar de entrada, o sonho de ter um automóvel zero-quilômetro deve continuar difícil, observa o economista. Isso porque os bancos seguem rigorosos na aprovação das fichas cadastrais dos clientes e não têm autorizado planos sem entrada.

Fonte: Diário do Grande ABC

Leave a comment

Back to Top